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ESTRESSE

 

O Vilão do Século XXI

O estresse, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é composto de um conjunto de reações fisiológicas que se exageradas em intensidade ou duração podem levar a um desequilíbrio no organismo. A reação ao estresse é uma atitude biológica necessária para a adaptação à situações novas.

O estresse pode ser dividido em dois tipos básicos: o estresse crônico e o agudo. O estresse crônico é aquele que afeta a maioria das pessoas, sendo constante no dia a dia mas de uma forma mais suave. O estresse agudo é mais intenso e curto, sendo causado normalmente por situações traumáticas mas passageiras como a depressão na morte de um parente.

 

Entre as principais causas de estresse, podemos citar:

 

•         Mudança – certa dose de mudança é necessária... mas às vezes isto pode trazer um desconforto grande... ansiedade e estresse

 

•         Sobrecarga – falta de tempo, excesso de responsabilidades, falta de apoio, expectativas exageradas

 

•         Alimentação incorreta – o que comemos e como comemos... “você é o que você come”

 

•         Ruídos – irritabilidade, estado de alerta o tempo todo

 

•         Trânsito – congestionamentos, semáforos, excesso de carros, assaltos, poluição

 

•         Progresso – tecnologia, sobrecarga de trabalho, níveis de exigência aumentados

 

•         Mêdo – “preocupação” ou seja, ocupação da mente com problema que pode ser real ou imaginário

 

•         Alteração do ritmo do organismo – irritabilidade, problemas digestivos, dores de cabeça, alterações do sono, dentre outras

 

•         Baixa auto-estima – tende a agravar o estresse

 

Os tipos de estresse são variados e não se restringem aos citados acima. Mas é mais marcante no nosso cotidiano o estresse do trabalho. O mundo do trabalho mudou com o avanço das tecnologias. Hoje, o profissional vive sob contínua tensão, pois, além de suas habituais responsabilidades, a alta competitividade das empresas exige dele aprendizado constante e enfrentamento de novos desafios, o que faz com que, muitas vezes, supere 

 


Consequências do Estresse

O estresse pode afetar o organismo de diversas formas e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando enfrentamos um problema, e essa particularidade explica como lidamos com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não. Não são só situações ruins que nos deixam estressados. Todas as grandes mudanças que passamos na vida são situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que esteja nos fazendo felizes.

A necessidade de ajuste deixa o organismo preparado para "lutar ou fugir", aumentando a pressão arterial e e frequência cardíaca, e contraindo músculos e vasos sanguíneos. Na natureza esta adaptação é necessária visto que o animal precisa tomar uma decisão rápida de defesa ou ataque, mas em se tratando de seres humanos que convivem com diversas situações estressantes, esta reação pode ser prejudicial. O excesso de estresse pode causar desde dores pelo corpo e queda de cabelo até sintomas sérios como hipertensão e problemas no coração. O fato de um evento emocional como o estresse afetar o organismo se deve ao íntimo relacionamento entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal). Por isso um estresse intenso pode afetar qualquer um desses sistemas levando à diversidade dos sintomas do estresse.

 
 

E como nosso corpo reage ao Estresse?

 

Os órgãos do nosso corpo (como o coração, o estômago e o intestino) são regulados por uma parte do sistema nervoso chamada Sistema Nervoso Autônomo (SNA). O SNA é parte do sistema nervoso periférico e controla muitos órgãos e músculos do corpo. Muitas vezes nós não estamos conscientes do funcionamento do SNA porque as suas funções são involuntárias, ocorrendo de maneira reflexa. Por exemplo, nós não conseguimos perceber quando os nossos vasos sanguineos se contraem ou dilatam, ou quando nosso coração bate mais acelerado ou mais devagar. Porém, algumas pessoas podem ser treinadas para controlar algumas funções do seu SNA, como por exemplo a velocidade dos batimentos cardíacos ou a pressão arterial.

 

O SNA se dividide basicamente em 2 partes: Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático. O SNA é muito importante em duas situações:

1. Em situações de emergência que causam estresse e causando a necessidade de “luta ou fuga”...  (entra em ação o Sistema Nervoso Simpático)

Ou

2. Em situações não emergenciais, aonde podemos “descansar e digerir”... (entra em ação o Sistema Nervoso Parassimpático)

 

E como funciona o nosso Sistema Nervoso Simpático? Imagine esta cena: “Em um lindo dia de sol... Você está passeando pelo parque e de repente... Um cachorro pitbull avança contra você...” O que você faz? Você enfrenta o cachorro e luta contra ele... ou você concentra todas as suas forças, se vira e corre como um louco? O seu organismo está trabalhando para fazer com que você fique livre deste problema da maneira mais rápida e efetiva possível... É o mecanismo de luta ou fuga!!!!! O seu Sistema Nervoso Simpático está entrando em ação... e lançando adrenalina e noradrenalina (produzidas na glândula adrenal) na sua corrente sanguínea. E as consequências são: constrição dos vasos sanguíneos na periferia (pele) dos membros superiores e inferiores; dilatação dos vasos sanguíneos da musculatura dos membros superiores e inferiores; aumento do ritmo cardíaco e da pressão arterial; relaxamento da musculatura bronquial; dilatação das pupilas (dentre outras alterações). Tudo isto para fazer com que mais sangue rico em oxigênio (energia) seja direcionado para a sua musculatura, para fazer com que você consiga lutar ou fugir do cachorro.

 

Porém, se a gente se depara com um pitbull várias vezes ao dia (ou trabalhamos em um local estressante... ou temos algum problema sério na família... ou não estamos conseguindo lidar com algum problema vigente em nossas vidas por exemplo), nosso organismo promove o mecanismo de luta ou fuga várias vezes ao dia, causando prejuizos físicos que podem culminar com o aparecimento de doenças.

 

Mas o nosso Sistema Nervoso Parassimpático é a sub-divisão do SNA que nos protege contra o estresse excessivo e prolongado. E como funciona o nosso Sistema Nervoso Parassimpático? Imagine agora esta cena: “Em um lindo dia de sol... Você está caminhando pelo parque após o almoço... E resolve assentar debaixo de uma árvore e descansar...” O seu organismo está trabalhando para guardar energia... e sua pressão arterial diminui, seu coração bate mais lentamente e o processo de digestão se inicia. É o Mecanismo de Relaxar e digerir!!!!

•                     O seu Sistema Nervoso Parassimpático está entrando em ação... e lançando acetilcolina (produzida nas terminações nervosas) na sua corrente sanguínea. E as consequências são: dilatação dos vasos sanguíneos na periferia (pele) dos membros superiores e inferiores; dilatação dos vasos sanguíneos no intestino; aumento da produção de saliva; aumento da produção de muco; aumento do peristaltismo intestinal; contração das pupilas; diminuição do ritmo cardíaco e da pressão arterial (dentre outras alterações). E o resultado de todas estas modificações é uma sensação de extremo bem-estar geral, propiciando a sua digestão. 

 

 
Como podemos testar o nosso nível de Estresse?

 

A evolução do estresse se dá em três fases: alerta, resistencia e exaustão. Neste teste é avaliada em que fase o seu estresse se encontra com base em alguns sintomas que costumam estar relacionados a cada uma delas. É importante alertar que as formas pelas quais o estresse se manifesta podem mudar muito de pessoa para pessoa e que este teste é apenas uma referência. Em caso de dúvida deve-se procurar um médico para um aconselhamento mais preciso..

Fase de alerta – A primeira fase ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor e o seu corpo perde o seu equilibrio. Tem-se os seguintes sintomas:Mãos e/ou pés frios Boca seca Dor no estômago Aumento de sudorese Tensão e dor muscular por exemplo na região dos ombrosAperto na manidíbula/ranger os dentes ou roer unhas/ponta da canetaDiarréia passageiraInsôniaTaquicardiaRespiração ofeganteHipertensão súbita e passageiraMudança de apetiteAgitaçãoEntusiasmo súbito

Se você tem menos que 7 desses sintomas é possível que o seu corpo não esteja sendo afetado pelo estressor. Se você tem 7 ou mais destes sintomas é provável que já tenha atingido a fase de alerta. É importante lembrar que este teste não é muito preciso e que casos de estresse podem se manifestar de formas diferentes.

... Continue o teste.

Fase da resistência – Na segunda fase o corpo tenta voltar ao seu equilibrio. O organismo pode se adaptar ao problema ou elininá-lo. Tem-se os seguintes sintomas:Problemas com a memória Mal-estar generalizado Formigamento nas extremidades Sensação de desgaste físico constante Mudança de apetite Aparecimento de problemas dermatológicos Hipertensão arterial Cansaço constante Gastrite prolongada Tontura Sensibilidade emotiva excessiva Obsessão com o agente estressor Irritabilidade excessiva Desejo sexual diminuído

Se você tem menos que 4 desses sintomas sua fase de estresse é de ALERTA.
Se você tem 4 ou mais destes sintomas você provavelmente já atingiu a fase de alerta e ultrapassou.

...Continue com o teste.

Fase da Exaustão – A exaustão é a terceira fase do estresse. É perigosa pois se tem diversos comprometimentos físicos em forma de doença. Os sintomas são:Diarréias frequentes Dificuldades sexuais Formigamentos nas extremidades Insônia Tiques nervosos Hipertensão arterial confirmada Problemas dermatológicos prolongados Mudança extrema de apetite Taquicardia Tontura frequente Úlcera Impossibilidade de trabalhar Pesadelos Apatia Cansaço excessivo Irritabilidade Angústia Hipersensibilidade emotiva Perda do senso de humor

Se você teve menos que 9 desses sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é RESISTÊNCIA. Se você teve 9 destes sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é EXAUSTÃO e deve-se procurar ajuda médica.

 

 

Existe tratamento para o Estresse?

 

Felizmente nos dias de hoje existem diversas alternativas para lidar melhor com o estresse. Algumas opções de tratamento se enquadram na medicina convencional, mas a cada dia que passa surgem mais alternativas de tratamento do estresse no campo da medicina alternativa.

 

Medicina Convencional:

1.      Remédios – somente um profissional médico poderá indicar o melhor medicamento para cada situação, porém os mais utilizados são calmantes, sedativos, anti-depressivos, dentre outros

2.      Alimentação – é comun que o organismo perca vitaminas e nutrientes em fases de estresse e estas podem ser repostas através da ingesta de uma alimentação balanceada, associada a um tratamento com complexos vitamínicos

3.      Atividade física – qualquer tipo de atividade física regular traz benefícios ao nosso organismo. A prática regular da atividade física libera endorfina (substância produzida pelo nosso cérebro), proporcionando relaxamento, diminuição das dores (analgesia) e bem-estar geral

 

Medicina Alternativa:

1.      Fitoterapia – tratamento feito com plantas, tipo melissa, rosa branca, valeriana, maracujá

2.      Acupuntura – técnica chinesa que consiste na aplicação de agulhas em certas partes do corpo para estimular o sistema nervoso

3.      Massagem – existem várias técnicas, dentre elas a quick massage e o shiatsu

4.      Medicina Anti-Estresse – programa desenvolvido nos Estados Unidos e que utiliza o poder cognitivo cerebral para causar modificações comportamentais ou fisiológicas nos pacientes, tendo como objetivo principal a promoção e/ou recuperação da saúde. As técnicas de Medicina Anti-Estresse, descrita na literatura americana como Mind-Body Medicine, são hoje amplamente conhecidas e utilizadas como medidas alternativas e complementares ao sistema de saúde americano, auxiliando na prevenção e controle do estresse. O paciente aprende a se conhecer e cuidar, fazendo com que a prevenção passe a ser tão valorizada na prática médica quanto a intervenção farmacológica (uso de medicação). 

 

Benefícios do Programa de Medicina Anti-Estresse

 

O Programa de Medicina Anti-Estresse é caracterizado por 12 sessões em grupo, com encontros semanais de 2 horas. A cada sessão uma nova técnica de Medicina Anti-Estresse (meditação, visualização, exercício de auto-relaxamento, biofeedback, movimentação corporal, dentre outras) é apresentada ao grupo de pacientes. As técnicas são praticadas e processadas em grupo e os pacientes são incentivados a praticá-las em casa. A maioria dos pacientes que participa do Programa de Medicina Anti-Estresse relata que aprender as técnicas é muito agradável e cria um marco em suas vidas. Os efeitos causados pelo programa, a curto ou longo prazo, são caracterizados e monitorados através do acesso ao estado de saúde dos pacientes ao início e ao final do processo de 12 sessões. Em geral, nota-se uma diminuição importante nos sintomas físicos relatados pelos pacientes após as 12 semanas do programa, assim como sintomas psicológicos tipo ansiedade, depressão e hostilidade. Esta melhora acontece de maneira geral, em todos os grupos de pacientes, independente do diagnóstico, sugerindo que o programa tem importância relevante para uma grande variedade de situações clínicas.

 

Além da melhora clínica e diminuição dos sintomas, muitos pacientes apresentam melhora em sua atitude e comportamento com relação à própria saúde. Os pacientes relatam sentir melhora substancial em sua auto-estima, aumento em sua habilidade cuidar de sua saúde, além de maior facilidade em lidar com situações estressantes da vida. Eles relatam também um importante senso de controle sobre as suas próprias vidas, uma mudança de atitude ao passar a enxergar fatores estressantes como desafios ao invés de obstáculos, além de passarem a ver um grande sentido na vida. Através do nosso seguimento destes pacientes, detectamos que eles incorporaram a meditação tipo Conscientização em suas vidas (seja de maneira formal ou informal) por pelo menos até 4 anos, além de reportarem um benefício contínuo devido ao aprendizado das técnicas de Medicina Anti-Estresse.

 

Não existe nada de mágico ou místico a respeito da meditação. A Conscientização é  basicamente prestar atenção, propositalmente, no único tempo que temos para viver... e este se chama “presente”.  A Conscientização pode ajudar melhorar as suas condições de lidar com as dificuldades médicas e emocionais – seus limites se extendem além das formas tradicionais de meditação, aonde o objetivo é focar a sua atenção em um objeto e trazer a sua mente de volta quando esta se distrair. Na Conscientização você inicia por focar sua atenção, mas quando sua mente se distrai, você observa aonde seus pensamentos estão te levando antes de detê-los. Esta prática de observar os pensamentos, sentimentos e sensações pode ajudá-lo a ter uma perspectiva mais ampla e calma dos mesmos. A Conscientização pode ser praticada em qualquer lugar ou situação, mas certos exercícios tipo yoga, auto-relaxamento e meditação assentada devem ser praticados com certa regularidade para que você passe a se entender melhor, diminuindo a sua tendência natural de reagir automaticamente a circunstâncias estressantes da vida.

 

Assim como outras técnicas da Medicina Anti-Estresse, a Meditação tipo Conscientização começou a ser explorada e estudada de forma científica recentemente. Estudos clínicos preliminares sugerem que um programa de treinamento em Conscientização pode melhorar uma gama enorme de sintomas físicos, reduzir a dor, melhorar a depressão e ansiedade, incrementar os sentimentos de segurança e auto-conhecimento, ajudar os pacientes a cuidarem melhor de si e de sua saúde. Geralmente, estes benefícios duram por vários anos após o final do treinamento e estudos controlados estão sendo realizados para investigar como a Conscientização pode influenciar o processo de cura e ajudar no tratamento de uma série de doenças.

 

A Meditação tipo Conscientização requer um compromisso consigo mesmo! Mais do que uma mera técnica, a Conscientização é uma forma de viver... Muitas pessoas que praticam a Conscientização dizem que esta melhora a sua vida de maneira geral, tanto na forma física como mental. “Com a Conscientização aprendemos a viver uma vida Meditativa – ou seja – a viver uma vida de forma consciente”!

 

 

 

Fontes de pesquisa:

Mindfulness Meditation – Health Benefits of na Ancient Buddhist Practice by Jon Kabat-Zinn, PhD 1993

 

InterMDnet Corporation, 2007

 

 
Dra. Sara de Pinho Cunha Paiva
PhD em Fisiologia e Fisiopatologia do Estresse
Programa de Medicina Anti-Estresse - Clinlife
Email: sara@clinlife.med.br