Se um homem não descobrir algo por que morrer, ele não está preparado para viver”. Martin Luther King
A clínica tem mostrado que ter coragem e força para vencer o câncer é enfrentar seu estigma, desmistificando crenças com relação a doença e seu tratamento.
Crença é definida como ato ou efeito de crer. Opinião adotada com fé e convicção. AURÉLIO (1986, p. 399)
Crença então seria tudo aquilo em que se acredita e que dá direção às pessoas. Nos dias atuais, jornais e revistas publicam histórias sobre pessoas que morreram após um longo período de tratamento contra o câncer, abalando a crença de pacientes quanto a sua possibilidade de cura.
Todo sistema complexo tem de ser congruente, suas partes tem de trabalhar juntas, cada ação tem de apoiar outra ação. Se as partes tentam ir a duas direções diferentes ao mesmo tempo, a máquina sairá de sincronismo e pode acabar se quebrando.
Se uma pessoa alcança uma meta, mas, a fim de fazê-lo viola sua própria crença sobre o que é certo ou errado, então resulta confusão.
Os sistemas de crenças são os valores sobre certo, errado, bom e mal. Eles governam todo o estilo de vida do homem, o que veste, onde trabalha o que dirige, onde mora, com quem se relaciona etc.. Eles são as bases que definem as suas reações a qualquer situação.
Mas, de onde vêm eles, esses poderosos ensinamentos sobre o certo e o errado, bom ou mau, o que fazer e o que não fazer?
Os pais desempenharam o papel principal ao programar a maioria dos valores originais. Constantemente eles expressam seus valores, dizendo o que queriam ou não queriam que fosse feito, dito ou acreditado. Se os valores fossem aceitos, eram recompensados.
Em algumas famílias a contínua rejeição dos valores dos pais levava à punição. De fato, a maioria dos valores tem sido programada através dessa técnica de recompensa-punição.
Ao longo da vida, constantemente a pessoa cria novos valores, misturando ou adaptando os seus próprios aos outros. O desafio para a maioria das pessoas é que muitos desses valores são inconsistentes. Muitas vezes as pessoas não sabem porque fazem certas coisas. Elas só sentem que têm de fazê-las.
Faz-se importante conhecer o sistema de crença relacionado ao câncer, na sociedade ocidental. Descobrir quais são os verdadeiros valores da mulher, com relação à doença, para assim melhor compreendê-la atuando efetivamente dentro de seu contexto sócio cultural.
Para DYCHWALD (1984, P.38) na realidade, toda célula de seu corpo está tanto estrutural quanto funcionalmente relacionada com todas as demais células ali existentes. Da mesma forma, todos os pensamentos, crenças, medos e sonhos estão dinamicamente associados dentro da estrutura e da função de sua psique. O autor sugere, ainda, que as células e os pensamentos estão mais diretamente interligados.
A crença com relação ao câncer tem na sociedade uma conotação negativa. Em geral, quando se fala de alguém que está com câncer, o tom da conversa muda, faz-se um silêncio desconfortável, as pessoas desviam o olhar, tudo isto indicando a expectativa da morte.
Às vezes torna-se difícil convencer as pessoas a mudarem suas crenças de negativas para positivas, porque em geral, já tiveram experiências negativas que provaram a validade de suas crenças. É como pedir para negarem as suas próprias experiências e aceitarem convicções inconsistentes com o que “sabem”.
No entanto, a clínica tem mostrado que muitas mulheres com diagnóstico de câncer de mama iniciam o tratamento com uma expectativa negativa e “aprendem” a adotar uma expectativa positiva, tendo esta atitude grande influência no seu processo de tratamento. Cristina Pacheco
ESTRESSE, PERDAS SIGNIFICATIVAS Intimamente correlacionados a comportamentos de desistência, sentimentos de fracasso e exaustão frente à vida estão o estresse e as perdas significativas na história anterior ao surgimento do câncer.
Normalmente, a desistência de lutar, a impossibilidade de reação sobrevém de uma perda ou ameaça de perda significativa de um ente querido, emprego, mudança de residência. Também pode estar relacionada a situações entendidas como positivas; casamento, formatura, etc.
Na verdade, CAMON org. (1992, p. 85), LEWIS diz que “a perda em si não é significativa no desenvolvimento da doença e sim a maneira pela qual a pessoa reage a tal perda”.
SCHMALE (apud CAMON, 1992, p. 85), entrevistou 191 pacientes e verificou que 80% deles tinham antecedentes de perdas e haviam reagido a eles desistindo de lutar.
A ligação entre o estresse e a doença é tão forte que, segundo alguns autores, é possível predizer a doença baseando-se na quantidade de estresse sofrida pelas pessoas. O estado contínuo de estresse pode suprimir o sistema imunológico, abalando as defesas naturais contra o câncer e outras doenças.
SIMONTON (1992, P.87), HOLMES e ROHE estabeleceram uma escala com valores numéricos relacionados com acontecimentos estressantes. Totalizando-se os valores numéricos de todos os acontecimentos estressantes da vida de uma pessoa, chega-se a probabilidade do aparecimento de doenças.
Na escala, os autores apresentam acontecimentos estressantes e acontecimentos supostamente agradáveis. São experiências que implicam em mudança de hábito, ou seja, podem desencadear conflitos em conseqüência de adaptação.
WALFF (apud CAMON org., 1992, p.87) diz que as condições de estresse “constituem um perigo frente ao qual o indivíduo põe em marcha reações corporativas, defensivas ou ofensivas.
Na vida, o corpo dos indivíduos é estruturado para reagir aos momentos de estresse através de reações do tipo “luta” ou “fuga”, sem que haja danos significativos. Mas, se a resposta fisiológica ao estresse não for descarregada adequadamente, pelos efeitos sociais das reações de luta ou fuga, o estresse passa a se acumular no corpo, determinando uma situação de estresse crônico. Apesar de o corpo tentar se ajustar aos problemas, o estresse constante favorece o desequilíbrio e a perpetuação do ciclo negativo.
CAMON org. (1992, p.88) SELY afirma que o estresse crônico produz desequilíbrios hormonais que determinam aumento da pressão sangüínea, dando aos rins hipertensão, desgaste, o endurecimento das paredes das artérias e como reação do indivíduo para combater esse desgaste, o endurecimento da artéria, arteriosclerose, pela fabricação das placas de colesterol, aumento da hipertensão, deficiência crônica, deficiência cardíaca, etc. BATHROPE (1997, CAMON org., 1992, p.88), estudando 26 indivíduos entre 25 e 26 anos que recentemente haviam enviuvado, verificou que o luto diminuiu a resposta imunológica do corpo, através da significativa diminuição dos linfócitos (células que indicam especificamente a potência do sistema imunológico).
SCHMALE refere que essas situações altamente estressantes podem ser determinadas por situações de perdas concretas, ameaças ou perdas simbólicas. As perdas reais se referem à morte de alguém tão próximo à família, como o pai, a mãe, o marido, os filhos, bem como abalos na relação conjugal, chegando ou não a separação e ainda perdas de ordem material. As perdas simbólicas referem-se à rejeição, uma recusa, às vezes insignificante ao observador, mas muito importante para o indivíduo, despertando-lhe sentimentos de desespero relacionados a ameaças passadas ou a conflitos não relacionados.
Cristina Pacheco
“Sociedade, Democracia e Cidadania”.
Ao atuar numa instituição, acredito e com certeza, ambos seremos “afetados”.
Quanto mais me envolvo, mais me transformo e provoco transformação. É como uma vacina contra a irresponsabilidade, o abandono e a indiferença comigo e com o outro.
Estar atento ao outro, faz com que eu me veja e “Eu me vejo no outro”
E quando eu me vejo no sinal vendendo bala, ainda jovem, deixando os meus sonhos para trás, ou com uma mulher, com os sonhos interrompidos bruscamente pelo câncer de mama, sem oportunidade de acesso a toda uma “parafernália” existente, de intervenção neste processo, isto me toca profundamente. Porque meu desejo é que eu me veja feliz, saudável, com direito a sonhar. Definitivamente eu, não gosto de me ver assim.
O desejo de intervenção nasce não só de tudo isto exposto acima, mas de um sonho, de uma semente que bem cuidada, regada, prolifera e se torna uma árvore com flores e frutos, numa floresta, em um sonho coletivo.
Sonhar junto, materializar este sonho, é acreditar na vida, é transformar.
Desta forma as ações que mexem com a minha emoção, fazem com que viabilize o meu sonho.
Através do meu envolvimento o desejo-sonho se prolifera, e a minha questão interna se transforma, ou se agrega a questão do outro, e “ai meu amigo, já era estaremos todos maravilhosamente envolvidos”.
Nesta interação, eu vou mudando a minha história e a do outro. Começo a me identificar e “saber” onde está o meu desejo e entender a minha escolha de intervenção, que está relacionada à busca de conhecimento, ao comprometimento com a causa e ao meu envolvimento pessoal.
Neste contexto é que o meu desejo e a minha história se relacionam com o desejo e a história do outro.
Não adianta “inchar as leis”, mas sim desenvolver a consciência, a responsabilidade pelos valores, acreditar que é possível transformar.
Sendo assim, acredito que o produto final satisfatório desta ação não é estático e tão objetivo, no sentido de ser um bem delimitado, material.
Esse produto tem uma conotação mais profunda, pois envolve “afeto” e entendo afeto aqui como causador de transformação, como “o algo mais” na relação com o outro, não mensurável.
Isto possibilita a visão deste produto num enfoque mais amplo, não só o da prevenção onde às mulheres possam detectar precocemente o câncer, evitando um quadro irreversível, mas se percebendo como agente transformador.
Este produto é também um agente de transformação por possibilitar um espaço onde a sociedade civil se organiza e compartilha o desejo de uma melhor qualidade de vida.
Se entendermos política como o lugar da argumentação, da articulação, o que faço é política, pois meus amigos, eu que me percebo através do outro, me sinto no resgate a ética e feliz diante da compreensão e do exercício diário de cidadania.
O desejo, que vai além do conceito de necessidade, numa definição mais elaborada refere-se à vivência de satisfação, identifica-se com a demanda e o sonho coletivo gera uma ação transformadora.
Assim um desejo, o sonho individual encontra eco no coletivo onde cidadão torna-se sujeito ativo, autogestor de sua vida e desta forma compartilha seu propósito de um mundo melhor “onde todos somos um”.
Cristina Pacheco – psico-oncologista
Feliz Natal
Natal é uma festa cristã na qual se comemora o nascimento de Jesus.
É tempo de reunir a família, de festejar e recordar.
Natal é memória gostosa da infância, de aromas e cores. É quando toda a família se reúne em volta da mesa e celebra a vida.
E celebrar a vida é ser responsável por suas escolhas, é arriscar-se a acertar ou a errar.
De acordo com Julia minha filha de 10 anos, “natal é estar em família”, é compartilhar com o outro nossas pérolas e vivenciar de forma prazerosa nossos afetos – fazer amigos e falar de coração para coração com eles...
É tempo de perdoar, de abrir o coração, fincar o pé no presente, deixando o passado para traz, dando o seu melhor no presente para que o futuro venha leve e grandioso.
É tempo de declarar amor ao parceiro, a família, ao trabalho, aos amigos, a natureza, as estrelas, a vida.
O Natal é um convite para experimentarmos a paz que existe dentro de todas as criaturas da natureza, entre elas o homem.
É aceitar o convite para o autoconhecimento ao identificar o que pode está obstruindo seu caminho, reconhecendo crenças limitadoras em sua vida.
É ir de encontro aos anseios de sua alma, buscar uma conexão de cerne mais profundo com quem você realmente é.
Finalmente criar o seu presente de natal, fazer escolhas, valorizar a si mesmo exatamente como você é, ou mesmo fazer uma mudança positiva em sua vida.
Desejo a você amigo (a) muitas alegrias e harmonia. Que a luz divina ilumine o seu caminho.
Cristina Pacheco
OS 5 ESTÁGIOS SEGUNDO KLUBER ROSS
Segundo KUBLER ROSS negação, raiva, depressão, barganha e aceitação são estágios na evolução psíquica de uma pessoa diante do reconhecimento de que sofre de doença grave ou incurável.
Nem todos experimentam todos os estágios, e estes também não seguem uma ordem lógica.
O primeiro estágio: negação e isolamento_ “Não, eu não, não pode ser verdade”. É um dos mecanismos de defesa mais freqüentes através do qual a pessoa se protege contra o impacto total do evento. Ajuda a suavizar o impacto de que a perda ou morte são inevitáveis.
O segundo estágio: a raiva _ “Não, não é verdade. Porque eu?” A raiva é expressa diante da compreensão de que poderá morrer. Às vezes a cólera poderá ser dirigida a um alvo inadequado. Em vez de ter raiva do que o médico lhe diz, tem raiva do próprio médico.
O terceiro estágio: barganha. _ “Está bem, mas...” Aceita-se o fato, porém, quer fazer acordos por mais algum tempo. É uma tentativa de adiamento; tem de incluir um prêmio oferecido por um bom comportamento.
O quarto estágio: depressão. _ “Sim eu”. Primeiro lamenta-se as coisas do passado, as coisas que não viveu. Depois entra em estado de dor preparatória.
O quinto estágio: aceitação. _ “Minha hora está próxima e agora está tudo bem”. KLUBER ROSS descreve este estágio como não feliz, mas tampouco infeliz. É isento de sentimento, mas não é resignação. É realmente uma vitória.
Muitas vezes experimentamos estes estágios em situações corriqueiras de nossas vidas. Costumo dizer que somos todos terminais, pois nascemos e morremos todos os dias. Casamos, entramos para a faculdade, um trabalho novo, uma cidade nova, enfim situações que implicam em ganhar/perder, deixar o velho e abrir-se para o novo.
Quem não sentiu o impulso de barganhar durante um regime alimentar ou mesmo quando se vê em uma situação que parece não ter solução visível e ai solta um eu prometo nunca mais...
Pois é amigos, não se preocupem, é o ciclo natural da evolução psíquica. Nossa mente é brilhante, quando saudável sempre lança mão dos nossos mecanismos naturais de proteção.
Tomamos conhecimento daquilo que suportamos, podemos negar barganhar, sublimar e assim nos mantermos em equilíbrio.
Desta forma trocamos insegurança e medo por fé e coragem, evoluindo na espiral da energia criativa da vida...
Cristina Pacheco – psico-oncologista
DEIXE SECAR A RAIVA
Certa vez uma menina ganhou um brinquedo no dia do seu aniversário.
Na manhã seguinte, uma amiguinha foi até sua casa lhe fazer companhia e brincar com ela. Mas a menina não podia ficar com a amiga, pois tinha que sair com a mãe. A amiga então pediu que a menina a deixasse ficar brincando com seu brinquedo novo. Ela não gostou muito da idéia, mas, por insistência da mãe, acabou concordando.
Quando retornou para casa, a amiguinha não estava mais lá: tinha deixado o brinquedo fora da caixa, todo espalhado e quebrado. Ela ficou muito brava e queria porque queria ir até a casa da amiga para brigar com ela.
Mas a mãe ponderou: - Você se lembra daquela vez que um carro jogou lama no seu sapato?
Ao chegar em casa você queria limpar imediatamente aquela sujeira, mas sua avó não deixou. Ela falou que você devia primeiro deixar o barro secar. Depois, ficaria mais fácil limpar.
Com a raiva é a mesma coisa. Deixe a raiva secar primeiro, depois fica bem mais fácil resolver tudo.
Mais tarde, a campainha tocou: era a amiga trazendo um brinquedo novo. Disse que não tinha sido culpa dela, e sim de um menino invejoso que, por maldade, havia quebrado o brinquedo quando ela brincava com ele no jardim.
E a menina respondeu: - Não faz mal, minha raiva já secou!
Discussões no dia a dia, nos relacionamentos e no trabalho podem levar as pessoas a ter sentimentos de raiva. Segure seus ímpetos, deixe o barro secar para depois limpá-lo. Assim você não corre o risco de cometer injustiças.
Texto extraído do livro "O que podemos aprender com os gansos"
Feliz Ano Novo!!!!!
Tania Marcia Barbosa
A Dor da Perda
Há alguns dias, uma amiga estava muito triste com a doença de seu cachorro, que estava com ela há 12 anos; depois de alguns dias angustiantes, com internação e até transfusão de sangue, ele morreu. Quanta tristeza!!! Dela, da filha e de nós, seus amigos, que nos compadecemos com sua dor.
Mas a tristeza não foi só no dia que o cachorro morreu, ela persiste a olhos nus e isto me levou a refletir sobre nossas reações diante da dor, essa sensação tão nossa conhecida de velhos tempos.
Afinal, perdemos desde que nascemos, quando saímos do aconchego do útero materno.
Depois perdemos a infância, brincadeiras, carrinhos, bonecas, quartinhos cor de rosa ou todinho azul, beijinho da mamãe quando caímos e simplesmente arranhamos o braço, colo bem aconchegante quando estamos gripados, com direito a não ir a escola e a alimentação na cama, vendo TV o dia interiro.
E aí entramos na adolescência, que confusão. Quantos ganhos e perdas e quanta dificuldade em administrar tudo isso.
Quando parece que estamos aprendendo, entramos na idade adulta. Quanta responsabilidade por nós mesmos; aí somos nós que vamos beijar pequenas “arranhaduras” e oferecer colo.
Mas atentamos mais a dor de perdas concretas: morte de entes queridos; amigos que mudam pra outra cidade, estado ou país; nosso querido bichinho de estimação que viveu conosco vários anos, ou alguns meses; separação conjugal; aposentadoria; filhos que casam ou simplesmente resolvem ir morar com outra pessoa; a confiança em alguém muito querido...
Então, mesmo sendo uma velha conhecida, a perda ainda nos faz sofrer e a demorar em lamentação pela perda.
Nos faz sofrer porque traz a tona diversas outras perdas, muitas das quais, não nos permitimos viver o luto necessário; Judith Viorst em “Perdas Necessárias”, diz que do mesmo modo que lamentamos a perda de um ente querido, “podemos lamentar o fim de um casamento, o fim de uma amizade especial, a perda do que fomos ou do que um dia esperamos ser. Pois, como vamos ver, há um fim, um fim para muitas das coisas que amamos. Mas pode haver também um fim para a lamentação.”
Vejo aqui a importância de vivenciarmos e expressarmos nossos sentimentos, entendendo que o tempo de luto é diferente para cada ser e que todos temos o direito a lamentação por nossas perdas; vejo também a importância de lembrarmos que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional e, ainda segundo Judith Viorts, “o sofrimento se torna desordenado quando está ausente ou é adiado num esforço de evitar a dor da perda”.
Ainda citando o mesmo livro “Perdas Necessárias”, a autora diz que “os psicanalistas e Shakespeare dizem que não lamentar pode ser prejudicial à saúde e que a lamentação pela pessoa perdida é um meio de aliviar a dor:
Dê palavras ao sofrimento; a dor da perda não fala "Murmura dentro do coração dolorido e o faz partir”.
O psicólogo Júlio Peres em entrevista à revista Época – 28 de março de 2007 – diz que “desabafar muda o cérebro”.
Segundo a pesquisa, tema de seu doutorado, “se o indivíduo não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher.”
Compartilho dessa teoria e vejo, em minha prática profissional, o alívio que as pessoas experimentam quando falam sobre suas perdas, lamentam suas perdas, expressam e elaboram seus sentimentos.
Seguimos mais leves quando compartilhamos o que sentimos, principalmente com alguém verdadeiramente disponível para a escuta.
Tania Marcia Barbosa
Atendimento Psicológico
Porque buscar atendimento psicológico?
As atuais circunstâncias em que vivem as pessoas, com os inúmeros papéis sociais e profissionais a cumprir, as exigências de um mundo competitivo e assoberbado de tarefas exaustivas, torna-as enquadradas em um esquema rígido de postura, onde sisudez e seriedade significam competência, onde o envolvimento emocional denota fraqueza e as relações interpessoais de troca devem se ater à superficialidade. Desta forma, as pessoas reprimem suas verdadeiras manifestações de sentimentos, muitas vezes relacionadas à afeição e ao amor.
A valorização de nossas emoções mostra-nos que é necessário senti-las ao mesmo tempo que precisamos estar ajustados socialmente de modo a sobreviver às contingências sócio culturais, que limitam a expressão livre de nossos impulsos emocionais.
Uma mesma situação pode provocar diferentes reações em cada um de nós.
Somos os únicos responsáveis por nós mesmos, pela nossa felicidade.
Os nossos sentimentos muitas vezes mostram nosso verdadeiro Eu, que ocultamos e disfarçamos.
O atendimento psicológico nos possibilita um melhor entendimento de nós mesmos, através de técnicas específicas que favorecem o auto conhecimento e a percepção que temos do mundo.
A pessoa que busca seu desenvolvimento constante, a aceitação de si próprio e que se reformar intimamente, tem toda a possibilidade de se tornar saudável e realmente livre em suas escolhas.