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Enfermagem

Edna Maria Savaget Barbosa - Enfermeira



Fisioterapia

Rafaela Grossi Oliveira e Silva - Fisioterapeuta 


Email: grossirafa@gmail.com 


Cuidados ao paciente oncológico

 

                                              Edna Maria Savaget Barbosa - Enfermeira

 

Como é difícil cuidar, definir o cuidar e inigualáveis são os atos do cuidador.

Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro (Boff 2000).

 De acordo Boff (2000) o cuidado pode ser definido  como um modo-de-ser essencial, sempre presente. É uma maneira de o próprio ser de estruturar-se e dar-se a conhecer. Sem o cuidado, ele deixa de ser humano.

Quando conseguimos visualizar uma pessoa que praticamente nunca foi cuidada, nasceu e viveu sempre “na rua”, sem referências básicas da essência humana. “Não é cuidado e nunca vai cuidar”. Esta pessoa vai morrer nos amplos sentidos, tanto faz ser morto ou matar. Não existe diferença para ela. Esta morte é definida como falta de cuidado – O ser humano é um ser de cuidado, mais ainda, sua essência se encontra no cuidado. E a essência humana se define e se compõe pelas mitologias, ciências, filosofias e religiões (Boff, 2000).

Segundo Boff (2000) “temos de pensar e falar a partir do cuidado como é vivido e se estruturar em nós mesmos”.

Para sabermos cuidar, devemos primeiro estruturar o nosso cuidado. “Eu me cuido?” – Realizo e/ou procuro realizar meus desejos? Ou somente “presto cuidados”? Se for apenas um simples cuidador, sem nenhuma essência e mito, como definir cuidados a um paciente oncológico?

O cuidado define-se como essência. Podemos visualizar três termos tão presentes no diagnóstico (médico) oncológico que estão interligados com a essência do cuidar.

- Câncer...

- Tumor maligno...

- Tumor benigno...

 Diagnósticos ditos entre “sussurros”, que nos circundam diariamente, seja no âmbito profissional ou pessoal. Em algum momento de nossas vidas já deparáramos com uma dessas falas “Sr. José está com câncer... coitado... não tem mais jeito... o tumor é maligno...”, “Dona Maria tem um tumor, mas ainda bem que é benigno...”

 Como podemos definir esses conceitos tão profundamente enraizados no nosso cotidiano.

 Segundo o dicionário Aurélio da Nossa Língua Portuguesa:


A)   Câncer: Vem do Latim Câncer, cancri. É qualquer proliferação celular anárquica incontrolável e incessante, que geralmente invade os tecidos com capacidade de gerar metásteses em várias partes do corpo e que tende a reaparecer após tentativa de retirada cirúrgica.

B)   Tumor maligno: Vem do latim Malignus. Como adjetivo tem os seguintes significados: - má, mau em sua natureza e índole,  mal-intencionado, desgraça, fatal, funesto. Ainda como adjetivo, dentro do conceito biológico ocorre na forma grave e tende a levar a morte.

C)  Tumor benigno: Vem do latim Benignus. Como adjetivo significa ter uma boa índole, ser benévolo, ter bom caráter, ser humano, bondoso, cortês, prestativo e generoso. E dentro do conceito biológico:- sem gravidade.


Pode-se fazer um elo entre os três conceitos:

 TUMOR

(LATIM)
Benignus (cura)

Crescimento lento, não produz metásteses
ELO CENTRAL SE RAMIFICA

 METÁSTESES
Malignus (câncer – morte)

Crescimento mórbido produz metásteses

 
METÁSTESES

 Vem do Grego - METÁSTASIS (deslocamento, afastamento).

É um substantivo feminino – migração por via sanguínea ou linfática de produtos patológicos provenientes de uma lesão inicial. Se aprofundarmos teríamos de falar em gênero homem e mulher – palavra feminina e tão maquiavélica.

Ao analisarmos os conceitos citados. Como podermos cuidar de uma pessoa com câncer / tumor maligno?

Se o cuidado é desvelo que se dedica a alguém. Vem do latim Cogitátus (pensado, refletido).

E quem tem câncer, tem o “o diabo” – Como podemos ser cuidadores do “diabo” incorporado?

 Câncer é uma doença crônica – degenerativa, apresenta evolução prolongada e progressiva (Merighu 2005). Com a evolução científica e tecnológica o perfil da doença se manteve, mas o local que o cuidado é prestado mudou radicalmente. Antigamente os prestadores do cuidado (os cuidadores) eram os familiares e amigos, que proporcionavam um ambiente de interação e afetividade. Hoje com a nossa nova cultura “hospitalizá-se,” as pessoas e elas morrem sozinhas num ambiente frio e asséptico (hospitais) e com estranhos prestando “o cuidado” (técnicos da área de saúde).

A morte constitui o aposto da vida. Por isso, torna-se um fenômeno aterrorizante, repulsivo e desconhecido para nossa espécie, que exulta instintivamente a vida. Dor e medo são sentimentos predominantes nesta relação com a morte (Ballone 2005).

 O câncer é percebido ainda hoje como uma condenação, como um castigo merecido ou não – estando ainda, fortemente associado à idéia de morte (Seguim 1999).

Por isto na nossa sociedade precisamos vencer sempre a morte e através das instituições de saúde – representada pela equipe multidisciplinar – pregamos a nossa onipotência frente às doenças “malignas.” A pessoa deve ser hospitalizada e tratada e o quê ela quer fica em segundo plano. É um acaso. Profissionais como definidores de todo o conhecimento – o indivíduo não pode definir por quem será e onde será cuidado.

 Sendo assim os profissionais de saúde deveriam pensar no efeito humanizador que se concretizaria se estivessem mais próximos de seus doentes ao longo de todo tratamento. A efetividade da relação profissional/usuário possibilitaria a ambos rever conflitos, trocar experiências (Gambato, Carli, Guarnenti e Prado 2005, p.5).

Quando o cuidar constitui a falência do tratamento, o caminhar para a morte vai requer que o profissional esteja preparado para perceber o desejo de cada indivíduo, que ele é único e definidor de toda a sua essência e que este cuidado pode proporcionar-lhe uma qualidade de vida e não um aumento apenas dos dias vividos.

Temos citado constantemente o termo qualidade de vida, sendo esta expressão introduzida há mais de 50 anos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e definida na época como “Estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade.

Segundo Calman, citado por Brites a qualidade de vida em pacientes com câncer, define esse parâmetro como uma congruência entre sonhos, ambições, projetos de vida, esperanças para o futuro, estilo de vida atual e experiência pessoais.

Se unirmos o cuidar – Que é toda a essência do ser– com a qualidade de vida do indivíduo – Seus desejos e sonhos– podemos nos tornar cuidadores – desta maneira em essência do ser integral como mente e corpo.

Como pessoas, trabalhadores da área de saúde, devemos primeiramente ser cuidados antes de tornar um cuidador. Devemos tentar conseguir gerenciar nossas limitações e dificuldades, lembrando sempre que poderemos sanar algumas e outras não- “Somos seres em essência atrás dos sonhos, tentando acertar e aprender com erros, os quais nos fundamentam em afetividade e zelo por nós mesmos e pelo outro.”

 


Bibliografia:

1 - BALLONE, GJ. (2000). Lidando com a Morte. Disponível em:  

     www.psiweb.med.br.

 

2- BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do Humano- compaixão pela                                                        

      terra 5º ed. Vozes: Rio de Janeiro 2000.

 3- CARVALHO, Mara; MERIGHI, Miriam. (2005). O Cuidar no

      Processo de Morrer na Percepção de Mulheres com Câncer: Uma

     Atitude Fenomenológica. Disponível em: http/www.eerp.usp.br/rlae.

     Acesso em: 10 setembro 2007.

 
4 - GAMBATTO, Rosani; CARLI, Fabiana Carmem; GUARIENTI,

     Rachel; SILVA, André; PRADO, Alessandra. Mecanismos de Defesa

     Utilizados por Profissionais de Saúde no Tratamento de Câncer.

      Disponível em: http/www.psicolatina.org./Seis/defesa.html. Acesso em:

      10 setembro 2007.

 
5 - SEGUIN, R.C. (1999). Um enfoque bioenergético no trabalho

      Corporal e o câncer. Convenção Brasil Latino América – Centro

      Reichiano – Foz do Iguaçu – SC.


Fisioterapia


Intervenção Fisioterapêutica no Pré e Pós-Operatório de Câncer de Mama
                         

 grossirafa@gmail.com

 

Rafaela Grossi Oliveira e Silva -   Fisioterapeuta                                       Nos últimos anos a incidência de câncer de mama tem aumentado significativamente e com isso a fisioterapia tem desempenhado um papel muito importante no atendimento das mulheres com esse tipo de problema. 

       Após a cirurgia, estas mulheres passam a ter uma nova realidade do esquema corporal, devido às alterações ocorridas em nível anatômico, fisiológico e funcional. Assim, o fisioterapeuta busca interceder efetivamente na qualidade de vida desta população, favorecendo o seu retorno às atividades físicas, sociais e profissionais. 

        A assistência fisioterapêutica às mulheres com câncer de mama consiste em três etapas: o pré-operatório, o pós-operatório imediato e o pós-operatório tardio. 

         O atendimento pré-operatório visa esclarecer dúvidas da paciente e identificar os fatores que podem contribuir para o aparecimento das complicações decorrentes da cirurgia. Desta forma, faz-se necessária uma avaliação detalhada, que oferecerá ao fisioterapeuta parâmetros para o acompanhamento no pós-operatório, ajudando na elaboração de um prognóstico de recuperação e na conscientização da paciente quanto aos procedimentos a serem realizados e quanto aos cuidados a serem tomados. 

         A reabilitação das pacientes no pós-operatório imediato constitui desde orientações quanto aos cuidados na execução das atividades de vida diária até exercícios e terapias de apoio, sendo importante o acompanhamento com uma equipe interdisciplinar. Nessa etapa do tratamento fisioterapêutico, geralmente faz-se um protocolo incluindo reeducação respiratória, mobilização e posicionamento dos membros superiores, massagens para prevenção de aderências, fibroses e linfedemas, deambulação precoce com orientação postural, exercícios circulatórios, controle de dor, estímulo às atividades de vida diária e orientação quanto à realização de movimentos de ombros e pescoço.

          O tratamento no pós-operatório tardio deve ser empregado em todas as pacientes submetidas à cirurgia, com o objetivo de auxiliar na manutenção do resultado obtido cirurgicamente, evitar complicações e restabelecer as funções do membro superior. São realizados alongamentos, exercícios respiratórios, exercícios para ganho de amplitude de movimento, treinamento de força (em uma fase mais avançada), reeducação postural e drenagem linfática, para prevenção de linfedemas, fibroses e aderências. Nessa fase o atendimento é ambulatorial e o trabalho pode ser individual ou em grupo.